terça-feira, 25 de março de 2025

  BOM DIA EVANGELHO



26 DE MARÇO DE 2025 – QUARTA-FEIRA DA 3ª SEMANA DA QUARESMA


OraçãoDeus de infinita sabedoria, que desejais que não somente cresça a nossa Fé, mas também a nossa Razão, a qual também nos destes para embasar corretamente o que cremos, concedei-nos por intercessão de São Bráulio saber valorizar a cultura, tanto pessoal quanto como nação, e mais ainda como Igreja; pois os indivíduos, países e fiéis mal formados são a presa fácil do demônio. E deste modo, alimentando-nos da Palavra e provendo este santo alimento aos irmãos, façamos como ele a nossa parte na consolidação da Igreja nesse tempo, de modo a podermos ser futuramente associados ao Rei dos Céus que sois Vós mesmo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora. Amém.


Evangelho (Mt 5, 17-19):

«Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para cumprir. Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo aconteça. Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar os outros, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus».

«Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas, mas para cumprir»

Rev. D. Vicenç GUINOT i Gómez(Sant Feliu de Llobregat, Espanha)

Hoje em dia há muito respeito pelas distintas religiões. Todas elas expressam a busca da transcendência por parte do homem, a busca do além, das realidades eternas. No entanto, no cristianismo, que afunda suas raízes no judaísmo, esse fenômeno é inverso: é Deus quem procura o homem.

Como lembrou João Paulo II, Deus deseja se aproximar do homem, Deus quer dirigir-lhe suas palavras, mostrar-lhe o seu rosto porque procura a intimidade com ele. Isto se faz realidade no povo de Israel, povo escolhido por Deus para receber suas palavras. Essa é a experiência que tem Moisés quando diz: «Pois qual é a grande nação que tem deuses tão próximos como o SENHOR nosso Deus, sempre que o invocamos?»(Dt 4,7). E, ainda, o salmista canta que Deus «Anuncia a Jacó a sua palavra, seus estatutos e suas normas a Israel. Não fez assim com nenhum outro povo, aos outros não revelou seus preceitos. Aleluia!» (Sal 147,19-20).

Jesus, pois, com sua presença leva a cumprimento o desejo de Deus de aproximar-se do homem. Por isto diz que: «Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para cumprir» (Mt 5,17). Vem a enriquecê-los, a iluminá-los para que os homens conheçam o verdadeiro rosto de Deus e possam entrar na intimidade com Ele.

Neste sentido, menosprezar as indicações de Deus, por insignificantes que sejam, comporta um conhecimento raquítico de Deus e, por isso, um será tido por pequeno no Reino dos Ceús. E é que, como dizia São Teófilo de Antioquia, «Deus é visto pelos que podem ver-lhe, só precisam ter abertos os olhos do espírito (...), mas alguns homens os têm empanados».

Aspiremos, pois, na oração seguir com grande fidelidade todas as indicações do Senhor. Assim, chegaremos a uma grande intimidade com Ele e, portanto, seremos tidos por grandes no Reino dos Céus.

Santo do dia: São Bráulio


São Bráulio nasceu na Hispânia (Espanha), por volta de 585-590, não se sabe ao certo se em Gerona, Sevilha, Toledo ou Saragoça. Seu pai Gregório e seu irmão mais velho, João, foram bispos; outro irmão, Frumiano, era religioso (na sua mesma abadia), sua irmã Pompônia abadessa, e somente sua irmã Basila foi casada, e depois viúva. Com 20 anos, entrou para a abadia de Santa Engrácia, onde seu irmão João o ajudou nos estudos elementares, de cultura clássica, religião e vida ascética.

Dez anos depois, muda-se para Sevilha, o maior centro cultural da Espanha na época, para aprofundar-se nos estudos, e ali tornou-se grande amigo e aluno do maior sábio do seu tempo, Santo Isidoro de Sevilha. Este o chamava de "amadíssimo senhor meu e caríssimo filho". Bráulio muito estimulou Isidoro para que escrevesse sua obra enciclopédica, e acabou por receber dele o encargo de revisá-la e ampliá-la, em 637. Na verdade, São Bráulio foi o melhor escritor espanhol de seu tempo, depois de Santo Isidoro, embora tenha trabalhado mais como incentivador da cultura do que como escritor. Assim escreveu por exemplo a Vita (vida) de Santo Emiliano, mas sobretudo preocupou-se com a formação e enriquecimento de bibliotecas (muito da sua correspondência com Isidoro trata de manuscritos e aquisições para elas).

Em 625 volta para Saragoça, onde o irmão João era arcediago (dignitário da Igreja que recebe do bispo certos poderes junto aos párocos, curas, abades etc. no âmbito diocesano, para a administração de afazeres eclesiásticos) e depois bispo, e o sucedeu em ambos os cargos, assumindo a diocese em 631. Este foi um período difícil, quando grassaram pestes, flagelos e carestias, exigindo muito do seu zelo.

São Bráulio participou de três concílios em Toledo, do quarto ao sexto (respectivamente em 633, 636 e 638). Neste último, foi incumbido pelos demais participantes (que incluíam alguns Metropolitas, isto é, arcebispos, portanto de maior dignidade eclesiástica) de comunicar-se com o Papa Honório I para esclarecer a ele a posição dos bispos, que criticara por negligência nas suas funções.

São Bráulio também aconselhou e foi confidente de vários reis visigodos. Recesvinto, filho de um deles (Quindasvinto), recomendou que Bráulio fosse coroado como "rei associado". Por tudo isso, Bráulio foi importantíssimo na consolidação da Igreja na região espanhola.

Praticamente cego e esgotado em 650, São Bráulio faleceu em 651, sendo considerado padroeiro das missões do Evangelho.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho


Reflexão: Além das grandes obras de caridade no bispado, diretamente voltadas para este serviço, como o auxílio aos necessitados dos flagelos, temas de concílios e diplomacia eclesiástica, São Bráulio destacou-se ainda mais pela sua contribuição direta e indireta na cultura, com seus próprios escritos e incentivo a outros autores – notadamente ninguém menos que Santo Isidoro – e impulso para a criação e aumento das bibliotecas. Naturalmente, visava que se enriquecessem verdadeiramente, com apenas volumes de valor; a literatura pagã, esta considerava “vão palavreado, frivolidade que satisfaz a inquietação humana, fumo impalpável e vento de ostentação”. Por contraste, ao pedir uma cópia de “Etimologias” de Santo Isidoro, assim se expressa ao autor e amigo: “Pensa que não tens o direito a conservar escondidos os talentos, nem a fugir à distribuição dos alimentos que te foram confiados. Abre a mão, reparte os teus bens entre os necessitados, para que estes não pereçam de fome”. Vê-se aqui quão claramente São Bráulio entendia o valor do alimento espiritual; e realmente, o alimento mais necessário ao Homem, sem desfazer da sua necessidade física, é o pão Eucarístico. Uniu portanto perfeitamente a correta valorização da cultura sem confundi-la com a mera vaidade do saber, dando o exemplo de que a verdadeira sabedoria não é simples conhecimento, mas Caridade. Cego para as coisas mundanas, esgotou-se na erudição da alma com suas boas obras, das quais ensinar os ignorantes é uma das mais importantes.

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