quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Bom dia evangelho
9 de dezembro de 2010 — Quinta-feira
2ª Semana do Advento
(Pf. do Advento I, Cor Roxa)

Num mundo marcado pela violência e outros males que ferem a vida, Jesus dirige-nos sua palavra redentora: “O Reino dos Céus sofre violência, e são os violentos que o conquistam”. Isso significa sobrepor à força da violência e das armas a força da paz. Nossa conversão é para a paz, porque ela é fruto do Reino. A paz é o novo nome da nova história que precisa ser construída. O Tempo do Advento faz-nos olhar com esperança para o futuro.
Responsório (SALMO- 144)
— Misericórdia e piedade é o Senhor! Ele é amor, é paciência, é compaixão!— Misericórdia e piedade é o Senhor! Ele é amor, é paciência, é compaixão!— Ó meu Deus, quero exaltar-vos, ó meu Rei, e bendizer o vosso nome pelos séculos. O Senhor é muito bom para com todos, sua ternura abraça toda criatura.— Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder!— Para espalhar vossos prodígios entre os homens e o fulgor de vosso reino esplendoroso. O vosso reino é um reino para sempre, vosso poder, de geração em geração.
Oração
Pai, dá-me força para combater os vícios e os pecados que me impedem de aderir plenamente ao teu Reino, e para suportar a violência dos que se opõem a ti.
Deus nos fala
Aquele que é nosso Redentor, o Santo de Israel, vem em socorro da humanidade tão pobre e sedenta de vida e de paz. João anunciou, com a força da palavra, a chegada do novo Reino e, no entanto “o menor no Reino dos céus é maior do que ele”.

EVANGELHO
Se vocês têm ouvidos para ouvir, então ouçam
Mt 11,11-15
Eu afirmo a vocês que isto é verdade: de todos os homens que já nasceram, João Batista é o maior. Porém quem é menor no Reino do Céu é maior do que ele. Desde os dias em que João anunciava a sua mensagem, até hoje, o Reino do Céu tem sido atacado com violência, e as pessoas violentas tentam conquistá-lo. Até o tempo de João, todos os Profetas e a Lei de Moisés falaram a respeito do Reino. E, se vocês querem crer na mensagem deles, João é Elias, que estava para vir. Se vocês têm ouvidos para ouvir, então ouçam.

Comentário do Evangelho
Jesus afirmando que ele é o Salvador

Neste tempo do Advento, particularmente nos dias mais próximos do Natal, a liturgia destaca a figura de João Batista. Os quatro Evangelhos, no seu início, associam entre si João Batista e Jesus. Em geral considera-se João Batista de maneira limitada, como simplesmente alguém que apontou para Jesus afirmando que ele é o Salvador. Na realidade a pregação de João Batista foi muito consistente e autêntica, atraiu muitos seguidores e abalou os poderes constituídos, religioso judaico e civil romano. Embora de família sacerdotal, João Batista distanciou-se do poder e dos interesses dos sacerdotes do Templo de Jerusalém, passando a anunciar no deserto o perdão dos pecados pela prática da justiça. Este anúncio esvaziava a função do Templo, no qual a purificação dos pecados era feita pelos sacerdotes, mediante ofertas. A conversão à prática da justiça era uma ameaça aos poderosos. Daí a perseguição e a morte de que foi vítima, pela articulação das elites do Judaísmo e da corte de herodes. A conversão significa a ruptura com o sistema de poder, riqueza e exclusão, e supõe, de certo modo, um ato de violência interior. E este sistema se sente ameaçado por esta ruptura, exercendo violência contra aqueles que assim ousam. (Autor: José Raimundo Oliva)

A IGREJA CELEBRA HOJE
São João (Juan) Diego Cuauhtlatoatzin
Os registros oficiais narram que Juan Diego, para nós João Diego, nasceu em 1474 na calpulli, ou melhor, no bairro de Tlayacac ao norte da atual Cidade do México. Era um índio nativo, que antes de ser batizado tinha o nome de Cuauhtlatoatzin, traduzido como "águia que fala" ou "aquele que fala como águia".

Era um índio pobre, pertencia à mais baixa casta do Império Azteca, sem ser, entretanto, um escravo. Dedicava-se ao difícil trabalho no campo e à fabricação de esteiras. Possuía um pedaço de terra, onde vivia feliz com a esposa, numa pequena casa, mas não tinha filhos.

Atraído pela doutrina dos padres franciscanos que chegaram ao México em 1524, se converteu e foi batizado, junto como sua esposa. Receberam o nome cristão de João Diego e Maria Lúcia, respectivamente. Era um homem dedicado, religioso, que sempre se retirava para as orações contemplativas e penitências. Costumava caminhar de sua vila à Cidade do México, a quatorze milhas de distância, para aprender a Palavra de Cristo. Andava descalço e vestia, nas manhãs frias, uma roupa de tecido grosso de fibra de cactos como um manto, chamado tilma ou ayate, como todos de sua classe social.

A esposa, Maria Lúcia, ficou doente e faleceu em 1529. Ele, então, foi morar com seu tio, diminuindo a distância da igreja para nove milhas. Fazia esse percurso todo sábado e domingo, saindo bem cedo, antes do amanhecer. Durante uma de suas idas à igreja, no dia 9 de dezembro de 1531, por volta de três horas e meia, entre a vila e a montanha, ocorreu a primeira aparição de Nossa Senhora de Guadalupe, num lugar hoje chamado "Capela do Cerrinho", onde a Virgem Maria o chamou em sua língua nativa, nahuatl, dizendo: "Joãozinho, João Dieguito", "o mais humilde de meus filhos", "meu filho caçula", "meu queridinho".

A Virgem o encarregou de pedir ao bispo, o franciscano João de Zumárraga, para construir uma igreja no lugar da aparição. Como o bispo não se convenceu, ela sugeriu que João Diego insistisse. No dia seguinte, domingo, voltou a falar com o bispo, que pediu provas concretas sobre a aparição.

Na terça-feira, 12 de dezembro, João Diego estava indo à cidade quando a Virgem apareceu e o consolou. Em seguida, pediu que ele colhesse flores para ela no alto da colina de Tepeyac. Apesar do frio inverno, ele encontrou lindas flores, que colheu, colocou no seu manto e levou para Nossa Senhora. Ela disse que as entregasse ao bispo como prova da aparição. Diante do bispo, João Diego abriu sua túnica, as flores caíram e no tecido apareceu impressa a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe. Tinha, então, cinqüenta e sete anos.

Após o milagre de Guadalupe, foi morar numa sala ao lado da capela que acolheu a sagrada imagem, depois de ter passado seus negócios e propriedades ao seu tio. Dedicou o resto de sua vida propagando as aparições aos seus conterrâneos nativos, que se convertiam. Ele amou, profundamente, a santa eucaristia, e obteve uma especial permissão do bispo para receber a comunhão três vezes na semana, um acontecimento bastante raro naqueles dias.
João Diego faleceu no dia 30 de maio de 1548, aos setenta e quatro anos, de morte natural.

O papa João Paulo II, durante sua canonização em 2002, designou a festa litúrgica para 9 de dezembro, dia da primeira aparição, e louvou são João Diego, pela sua simples fé nutrida pelo catecismo, como um modelo de humildade para todos nós.
São João (Juan) Diego Cuauhtlatoatzin
1474-1548

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